Nota: Cancelamento da Feira do Livro de Rio do Sul

Fundação Cultural planeja atividades para o Dia Nacional do Livro, em outubro


No dia 13 de julho, a diretoria da Fundação Cultural de Rio do Sul realizou uma reunião para tratar da Feira do Livro de Rio do Sul. Considerando a pandemia e as regras de distanciamento social e após serem levantados questionamentos e declarações na reunião, optou-se por enviar uma carta à Câmara de Vereadores solicitando cancelamento da feira, já que esta é instituída por lei.


Estavam presentes na reunião os membros da diretoria da Associação de Escritores do Alto Vale do Itajaí, Johan Henryque, Janilde Lenzi e Jonas Felácio Junior, este último vice-presidente da entidade que representou o presidente, Ivo Ferrari, que está em isolamento social. Além deles, participaram Rafael Aparicio Tschumi (diretor Executivo de Cultura da Fundação Cultural de Rio do Sul), Cátia Dagnoni (historiadora eleita a Escritora Destaque 2020 da feira) e Adriano Lucas da Silva (membro titular da Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Rio do Sul).


Na reunião, foram lidas as transcrições de mais de dez declarações de pessoas participantes da literatura regional que expressaram motivos para o cancelamento do evento deste ano, entre eles professores, escritores, diretores de escola e representantes de entidades.


Destaca-se a declaração do escritor Ivo Ferrari, então presidente da Associação dos Escritores do Alto Vale do Itajaí, gravada às 9h05 do dia 12 de julho de 2020: “Mediante ao que está acontecendo, entendo que seria uma temeridade a realização da mesma devido as recomendações da Saúde e Vigilância Sanitária de não haver aglomeração de pessoas. Pelo fato da feira mobilizar uma grande quantidade de pessoas, será quase impossível que os participantes de escolas públicas e livreiros se mobilizem sem aglomeração. Em vista desta dificuldade e a não recomendação, sugiro, em nome da Associação de Escritores, que não seja realizada no ano de 2020 a Feira do Livro nos moldes que foram realizadas as feiras em anos anteriores.”


Sabendo todos que participaram da reunião da necessidade das medidas prevenção levantadas pelo Sr. Ivo Ferrari, o que foi corroborado por todos os presentes, ainda falou-se do período de incertezas que estamos passando. A cada mês são tomadas novas medidas que autorizam ou desautorizam a reunião ou aglomeração de pessoas, com medidas ora mais ora menos severas. Assim, sabemos que a Feira do Livro é um evento que demanda trabalho, planejamento, organização e investimento. E com tamanhas incertezas, corre-se o risco de se organizar o evento no tradicional tamanho e formato e possivelmente ter de cancelá-lo, a depender do cenário da pandemia.


O principal objetivo da Feira do Livro é o incentivo à leitura, principalmente das pessoas que estão em idade escolar, tanto que 80% dos frequentadores da feira são estudantes. São estudantes que estão com seu ano letivo prejudicado, também sem conseguir prever se poderão participar de uma feira.


Parte importante da feira também é o comércio de livros. A bibliotecária da Biblioteca Pública Municipal de Rio do Sul, Raquel Bezerra, contatou livreiros que relataram, a maioria, que nem se quer fizeram pedido de novos livros, pois não conseguem enxergar uma melhora no setor ou na participação de eventos literários.


Rio do Sul não é exceção. A maioria das feiras e eventos literários de 2020 já foram cancelados, como a Feira do Livro de Timbó, Jaraguá do Sul, Joinville e Criciúma. O presidente da Academia de Letras do Brasil – Santa Catarina, Sergio Simão, declarou: “dentro da ALBSC cancelei tudo, o aniversário de 12 anos, eventos que estavam na agenda, não vamos fazer nada. No momento em que o governo, as autoridades falarem que terminou vamos elaborar uma nova agenda”.


Na reunião que tratou da Feira do Livro, também foram sugeridas atividades virtuais que pudessem substituir o evento. A maioria considerou válida a ideia. Porém, decidiu-se por não realizar no formato, tamanho e com o nome Feira do Livro de Rio do Sul, pois este nome e conceito de evento já remetem a uma ação grandiosa e que é tradicional na cidade.


Assim, a sugestão foi utilizar a data de 29 de outubro, Dia Nacional do Livro, para se fazer atividades literárias para a comunidade. Neste período, se não for possível presencialmente, a ação pode ser executada virtualmente.


Outra sugestão foi manter o Concurso Literário Manoel Karam, transformá-lo no formato digital, com a premiação no Dia do Livro. Os membros da Associação de Escritores se comprometeram em tratar com professores de literatura das escolas para o apoio a esta ideia. Assim, pode-se adaptar o edital que já estava para ser lançado em março.


A Feira do Livro também contempla a solenidade de homenagem ao Escritor Destaque de Rio do Sul. Por se tratar de um momento marcante na vida do homenageado, seus familiares e da classe artística, assim como também para a literatura rio-sulense, considerou-se que esta solenidade num formato virtual perderia o seu encanto e emoção, tornando-se apenas algo protocolar.


Mediante todos estes argumentos levantados e com o embasamento das declarações, a síntese da reunião foi elaborar o encaminhamento de uma carta para a Câmara de Vereadores de Rio do Sul com os devidos argumentos frente à situação extraordinária não prevista pelo legislador para o cancelamento da Feira deste ano, assim como para que a homenagem do escritor destaque seja feita presencialmente no ano seguinte.


Rafael Tschumi – diretor executivo da Fundação Cultural de Rio do Sul